Conjunto
Turística
Bairro que nasceu de
um movimento social
por Audrey Camargo

Rua
Sete Quedas e praça |
O
bairro Conjunto Turística, localizado no distrito
de São Domingos (junto à Estrada Turística
do Jaraguá), originou-se de forma alternativa
à maioria dos bairros de São Paulo. Foi
construído pelos integrantes da Associação
dos Trabalhadores Sem Terra de São Paulo, fundada
em 1986 na Igreja Santo Antônio, na Vila Clarice.
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Adir Cláudio de Freitas, um dos coordenadores
do movimento, conta que o Conjunto Turística teve
início em 1994. Eles escolheram a área em
que seriam construídas as casas dos trabalhadores,
verificaram a situação legal da terra e quando
viram que estava tudo certo a compraram.
Os engenheiros que colaboram com a Associação
projetaram as ruas, praças e locais comuns à
comunidade. Os trabalhadores pagaram em parcelas cada qual
o seu lote – uma média, hoje, de R$ 4 mil –
e construíram sua moradia.
Um dos primeiros problemas enfrentados foi
um embargo à construção que durou três
anos, devido a uma denúncia de que eles teriam matado
animais silvestres que habitavam a área, uma cobra
e um tatu. Somente em 1997 eles conseguiram vencer o embargo
na justiça e a obra foi liberada.
E esse não foi o único contratempo.
Adir Cláudio de Freitas relembra: “Aqui não
era nada. Fizemos tudo na base da paulada, indo todos juntos,
três, quatro mil pessoas, atrás do governo,
dos políticos”.
Para Adir é importante que as pessoas
tenham consciência e participação ativa
na comunidade e percebam que as coisas não são
tão fáceis. “A pessoa não está
comprando uma terra, está comprando uma luta, porque
vai ter que lutar por água, luz, creche, tudo”.
| Os
trabalhadores devem pagar uma taxa simbólica
para se filiar ao movimento, porém a maior condição
imposta pelo grupo para quem quer se associar é
participar das reuniões semanais, e para quem
já mora no bairro é ir às assembléias
de moradores há cada 30 dias. |
Adir
Claudio de Freitas (à esq.) e João Monteiro
no Centro Comunitário do bairro. |
As reuniões ajudam a comunidade a
tomar decisões que sejam do interesse de todos e
reforçam o elo entre a vizinhança. “Nessas
assembléias o primeiro morador conhece o último.
Parece uma cidade do interior dentro de São Paulo”,
explica o mestre-de-obras João Monteiro.
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Para
José Donizete Cazzolato, geógrafo do Centro
de Estudos da Metrópole (CEM/Cebrap), este trabalho
é uma amostra do que pode ser feito na cidade: “Essa
ação coletiva deveria ser incorporada na rotina
da gestão pública do município todo.
Todos os bairros deveriam ter um centro político, onde
seriam resolvidos problemas específicos, festas, campanhas
de vacinação, cursos e demais assuntos importantes
para toda a comunidade”.
| A
Associação dos Trabalhadores Sem Terra,
presidida por Cleuza Ramos, também se encarrega
de organizar cursos para crianças e adolescentes
dentro do Centro Comunitário do bairro, e busca
parcerias com convênios médicos e em faculdades,
para os filhos dos associados terem desconto em mensalidades. |
Rua
Fernando de Noronha e pico do Jaraguá
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E o Conjunto Turística não
é o único bairro conquistado pelo movimento.
Eles já compraram 25 áreas sendo que 18 já
estão povoadas e o restante encontra-se em vias de
regularização territorial. Bairros que surgiram
da iniciativa de pessoas relativamente carentes dispostas
a lutar pelo seu espaço e direitos, “Uma história
de luta e de participação”, resume Adir.
Jornal Consultado
Jornal O Movimento – Informativo
Associação dos Trabalhadores Sem Terra de
São Paulo – Janeiro/2006.
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| diverCIDADE
- Revista Eletrônica do Centro de Estudos da Metrópole
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