Reportagens
Seu Bairro, Sua Imprensa 
Jornais de bairro contribuem para a integração do leitor ao lugar onde mora
por Audrey Camargo

 
Jornal da Gente
Rua Clemente, Lapa - 1930
Existem atualmente cerca de 200 jornais de bairro na capital, de acordo com dados da Associação de Jornais de Bairros (Ajorb). Gratuitos, informativos e repletos de anúncios são um eficiente meio para os leitores desenvolverem uma relação afetiva e utilitária com o local onde vivem.

A imprensa de bairro é capaz de mobilizar os moradores em torno de questões locais, pois a proximidade com o leitor e com o assunto permite ao jornal revelar melhor a história, o modo de vida, as necessidades e as modificações daquele núcleo urbano, fatores estes que geram uma identificação por parte dos leitores.

Ubirajara de Oliveira, diretor do Jornal da Gente – que cobre três bairros da região administrativa da subprefeitura da Lapa e é voltado basicamente para políticas locais –, explica como se dá essa participação dos moradores: “Os leitores são grandes fiscais. Costumam mandar e-mail, fotos e ‘furos’ de reportagem. Outro dia um morador ligou para avisar que o prefeito estava visitando uma instituição do bairro. E nem o subprefeito da região sabia”.

A jornalista Denise Delfim, que lançou o jornal Pedaço da Vila para resgatar a memória do bairro de Vila Mariana e integrar instituições e equipamentos culturais, conta: “Só não desisti do jornal devido aos leitores. Os vizinhos me procuram para se apresentarem ou para sugerir pautas e o jornal conquistou colaboradores”. Seu vínculo com o bairro aumentou proporcionalmente, “Hoje tenho participação na maioria das associações de moradores que lutam pela qualidade de vida na região”, revela Denise.

Circulando desde 2001, o Pedaço da Vila esbarra nos mesmos problemas que tantos outros jornais de bairro já enfrentaram e que muitos não conseguiram encarar: o custo para sua manutenção. “A gráfica é caríssima e o que tiro por mês é muito pouco”, reclama Denise. Já o Jornal da Gente, por ter uma estrutura comercial maior e abranger mais distritos, consegue se manter bem só com o volume de anúncios e publicidade atuais.

Bairro Vila Mariana

Ambos afirmaram não sofrer com a influência de políticos e empresas interessadas em comprar “reportagens” em troca de ajuda material, e disseram ser completamente independentes. “Tem uma coisa que a gente conquista que não tem preço que é a nossa credibilidade”, explica Denise. “Se perder a credibilidade seu projeto está liquidado”, emenda Ubirajara.

O trabalho da imprensa de bairro não é fácil – sobreviver dentro de uma estrutura relativamente pequena –, mas é relevante para a metrópole à medida que cobre todo um núcleo urbano, resgatando histórias e valorizando assuntos familiares aos leitores. Como observa Ubirajara: “Numa cidade com essa dimensão isso é muito importante”.

 

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Jornal da Gente

 

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