| Meu
bairro, minha luta
Associações
de Santo Amaro atuam conjuntamente em defesa da região
Entidades
participam da elaboração dos Planos Diretores
Regionais, bloqueiam obra da prefeitura e transformam área
pública abandonada em um parque.
As
associações de bairro estão se consolidando
cada vez mais como uma das formas mais efetivas de participação
na administração da cidade. Um dos exemplos
mais fortes ocorre na região da subprefeitura de
Santo Amaro, onde quinze associações de bairro
se reúnem numa única entidade, a Ciranda -
de Mãos dadas por Santo Amaro. A Ciranda foi criada
em 2003 e inclui bairros como Jardim Petrópolis,
Jardim dos Estados, Alto da Boa Vista, Brooklin Velho e
Granja Julieta.

Estação
Granja Julieta |
Uma
das principais ações da entidade foi a
mobilização em torno da elaboração
dos Planos Diretores Regionais. “Realizamos diversas
reuniões conjuntas entre as entidades, discutindo
propostas que favorecessem a região”, diz
Marc Zablith, estudante de economia e secretário
geral da Ciranda. “Quase todas nossas propostas
foram aceitas.” |
Outra
vitória das entidades da região foi ter forçado
a interrupção das obras da prefeitura na Avenida
Vereador José Diniz, exigindo modificações
no projeto. “Fizemos diversas intervenções
favoráveis, como desvio do tráfego, que ia
passar pelo meio dos bairros, e a redistribuição
das paradas de ônibus”, diz Cristina Antunes,
diretora de relações institucionais da Sajape
(Sociedade Amigos dos Jardins Petrópolis e dos Estados).
“Além disso, a derrubada de árvores,
prevista para 400, caiu para cerca de 50”.
Cristina
conta que a Sajape está no processo de transformar
uma área pública usada como depósito
de entulho da prefeitura no futuro Parque do Cordeiro. “A
área foi doada irregularmente por Paulo Maluf para
uma instituição islâmica. Depois de
muita briga, conseguimos reavê-la na justiça,
o que é muito importante, porque não existe
nenhum parque de uso público na região. Nossa
briga agora é para que a Prefeitura conclua a execução
do projeto.”
A
associação também desenvolve ações
visando manutenção de calçadas, preservação
das árvores, coleta seletiva, arborização
de calçadas e praças, encaminhamento de entulho
para locais adequados, além de um inventário
de galerias de coleta de esgoto e de águas pluviais,
em parceria com órgãos públicos. Está
promovendo também o cadastramento e qualificação
de vigilantes de rua. “Nem tudo é culpa da
prefeitura, nós devemos fazer a nossa parte”,
diz Antunes. |