Entrevista
Pesquisadora fala sobre formação de bairros em São Paulo e Recife
 
Sandra Augusta Leão Barros é arquiteta e urbanista pela Universidade Federal de Pernambuco e mestre em Estruturas Ambientais Urbanas pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Sua dissertação - O que são bairros: limites político-administrativos ou lugares urbanos da cidade? - foi publicada pela editora Livro Rápido/Fapesp/UFRPED (Recife, 2004).

Como a formação de bairros difere em cidades como São Paulo e Recife? E em outras cidades?

No Recife muitos engenhos viraram bairros. Essa escala urbana já estava definida desde o princípio do parcelamento urbano. Existe um livro muito bacana,chamado "Velhas igrejas e subúrbios históricos", infelizmente esgotado, em que o autor localiza em cada “bairro” existente até então o que os identificava (repetição da palavra),geralmente igrejas, seus pátios e casarios próximos. Às vezes o rio Capibaribe, açude, salina etc. No Recife eram considerados “subúrbios” porque estavam até então distantes do núcleo primitivo, o centro portuário próximo a desembocadura do rio Capibaribe e Beberibe. Existiam os hoje bairros de São José, Santo Antonio e Bairro do Recife, as áreas para dentro da planície eram um extenso canavial e, posteriormente, núcleos suburbanos que foram crescendo. Pegando um mapa antigo se identifica claramente.

Já São Paulo teve a parcela dos imigrantes com seus bairros característicos que, por sua vez, também moldaram a seu jeito a metrópole atual. Assim como Buenos Aires tem seu perfil urbano caracterizado em cada bairro de diferentes imigrantes. O que não quer dizer que não venha a formar uma imagem do todo.

Leia artigo de Sandra Barros sobre bairros de Recife na Revista de Urbanismo da Universidade do Chile

 

diverCIDADE - Revista Eletrônica do Centro de Estudos da Metrópole