| Veja
o que alguns entrevistados acham sobre a delimitação
legal dos bairros de São Paulo:
Nabil Bonduki, arquiteto,
urbanista e vereador da cidade de São Paulo de 2001
a 2004
 |
Não
tenho nenhuma dúvida a esse respeito: a prefeitura
não só deve, como está obrigada
pelo Plano Diretor a delimitar os bairros da cidade.
Este assunto foi debatido na Câmara Municipal,
durante a tramitação do Projeto de Lei
n.139/04, referente aos Planos Regionais. Como relator
e autor do substitutivo do Projeto aprovado, introduzi
um artigo, o de número 43, na Lei n. 13.885/2004,
que dá um prazo de 360 dias a partir da entrada
em vigor da lei para que as subprefeituras, coordenadas
pela Secretaria de Planejamento, estabeleçam
a divisão da cidade em bairros, sua delimitação
e denominação, que deverá ser incorporada
ao Plano Diretor na ocasião da sua revisão.
|
Como a Lei n. 13.885/04 entrou em vigor
em 4 de fevereiro de 2005, o prazo dado à prefeitura
já se esgotou, sendo urgente que se inicie as discussões
públicas com as associações de bairros
e sociedade para definir esta delimitação.
A importância da divisão da cidade em bairros,
além dos aspectos culturais, de identidade e de auto-estima
dos moradores em relação ao local onde vive:
está vinculada ao Sistema de Planejamento, proposto
pelo Plano Diretor. São Paulo é uma cidade
de grandes dimensões, sendo fundamental sua divisão
em unidades menores para viabilizar as diferentes escalas
do planejamento. A criação das 31 subprefeituras
em 2002 e a formulação dos seus Planos Diretores
Regionais, aprovados em 2004 constituiu um grande avanço
na criação de uma escala intermediária
de planejamento, entre o bairro e a cidade como um todo.
No entanto, uma subprefeitura é ainda uma unidade
bastante grande, reunindo vários bairros e uma população
que varia de 250 mil e 500 mil habitantes. É por
isso que o Plano Diretor propõe o desenvolvimento
de Planos de Bairros, que tratariam de questões urbanísticas
numa escala local, como, entre outros, a requalificação
das calçadas, o controle do trafego, a localização
e implantação de equipamentos sociais e o
tratamento e desenho urbano dos espaços públicos.

Mas para que os planos de bairros possam ser formulados,
é fundamental que se estabeleça formalmente
sua delimitação. Isto é necessário
porque hoje não está nem um pouco claro onde
começa um bairro e onde termina o outro, não
sendo possível pensar este instrumentos para a cidade
como um todo sem a formalização dos limites
de cada uma destas unidades, que são as menores unidades
de planejamento previstas.
| Seria
possível pensar que, gradativamente, estes bairros
poderiam começar a ser pensados como unidades
administrativas, numa radicalização do
processo de descentralização. Isto seria
uma revolução na gestão urbana,
mas não parece ser uma tarefa fácil, pois
até mesmo as subprefeituras encontram dificuldades
para se instalar e cumprir todas as suas atribuições.
No entanto, é possível pensar que os bairros
pudessem ter uma instância de gestão local,
formada, sobretudo, pelas associações
de moradores, que hoje já desenvolvem importantes
atividades na escala local. |
Bairro
Moema |
Os bairros fazem parte da nossa história
urbana, se constituindo em importante elemento de identidade
numa cidade tão carente de símbolos capazes
de ampliar a auto-estima dos seus moradores. A delimitação
mais precisa dos bairros certamente irá ajudar a
criar uma maior inteiração entre os seus moradores,
estimulando a participação na gestão
da cidade.
| Sandra
Leão Barros, arquiteta, urbanista e autora
do livro O que são bairros: limites políticos
administrativos ou lugares urbanos da cidade?
Não
conheço o Plano Diretor de SP, mas acredito
que os bairros devem ser limitados. Para efeitos
de controle e distribuição de serviços
públicos por conta do Estado (água,
luz, telefone, lixo, correio etc.). Esses contornos
nunca serão iguais ou ao menos coerentes
com os dos moradores que vivenciam tais espaços
cotidianamente, mas devem existir.
Em qualquer cidade grande, a noção
e nomenclatura de bairros é muito difusa.
Principalmente os mais antigos onde a malha era
mais simples e homogênea. A questão
do status e do nível econômico e
social também leva muita gente do mercado
imobiliário a vender tais empreendimentos
como situados em determinados bairros e não
no seu vizinho menos abastado. |
Raquel
Rolnik, arquiteta e urbanista
A
delimitação legal dos bairros na cidade
só tem sentido se for parte de uma estratégia
de gestão urbano-territorial. Isto significa
que o campo das políticas municipais - sociais
e urbanísitico-ambientais - adote como referência
territorial o bairro, tanto para definir estratégias
diferenciadas de acordo com seu perfil, como para
poder acompanhar e monitorar sua implementação
através de indicadores. Infelizmente, o esforço
para integrar as políticas urbanas, adotando
o território como unidade de análise
e ação tem avançado pouco em
nosso país.
Cristina
Antunes, diretora de relações institucionais
da Sajape – Sociedade Amigos dos Jardins Petrópolis
e dos Estados
É
necessário fazer uma revisão do abairramento
de São Paulo, levando em conta os elementos
físicos, topográficos e de urbanização.
Os bairros dos Jardins Petrópolis e dos Estados,
por exemplo, possuem uma fronteira ambígua
com o bairro do Alto da Boa Vista – embora isso
não prejudique a atuação da ONG,
porque mantém boas relações com
as entidades vizinhas. Pela territorialização
da companhia telefônica, por exemplo, estamos
no distrito do Ibirapuera, o que não é
verdade.

Eduardo
Fenianos, jornalista, graduado em direito e
autor do projeto Urbenauta – Aventuras
Urbanas
É
importante para que a cidade se organize. Um
bairro e suas placas servem para localizar as
pessoas e facilitar o trânsito na cidade.
No entanto, é importantíssimo
que se leve em conta a identificação
cultural dos moradores com relação
ao espaço. |
|
|
|
| diverCIDADE
- Revista Eletrônica do Centro de Estudos da Metrópole
|
|

|
|