Número Oito- janeiro/fevereiro/março de 2006
Artigo Assinado

Penso que o Plano de Bairro, associado ao que se ensina na Escola Fundamental e de Segundo Grau do Bairro, deveria servir para levar a se construir uma consciência crítica do cidadão, sobre o que está acontecendo em nossas cidades. Poderia essa idéia ter sido introduzida nos Parâmetros Curriculares previstos pela Lei de Diretrizes e Bases para a Educação definidos a nível federal, mas ainda não o foram.

Na América Latina, ao que sabemos apenas Buenos Aires, com as recentes eleições democráticas de seus prefeitos, introduziu essa idéia. No Rio de Janeiro já houve um ensaio nessa direção, na primeira gestão do Prefeito César Maia, que, ao que temos notícia não foi adiante.

Na região metropolitana de São Paulo, como primeiro Plano de Bairro, foi debatido e aprovado pela população em Itapecerica da Serra, por sua Câmara Municipal após sua aprovação em assembléia realizada nesse bairro periférico pobre, o Plano Diretor de Bairro, do Bairro Branca Flor, em 23 de outubro de 2001, na gestão de um prefeito arquiteto e urbanista, Lacir Baudusco, que por isso merece especial citação.

Em São Paulo, a sua Prefeitura e a sua Câmara Municipal concordaram em colocar a possibilidade de fazê-lo, nos seus textos legais maiores por muita insistência nossa, pessoal, junto ao arquiteto e urbanista Nabil Bonduki e também professor da FAU-USP, então vereador e relator dos projetos de lei do Plano Diretor e sua Lei Complementar de zoneamento. Também o Movimento Defenda São Paulo teve importante papel na defesa dessa inclusão nos textos legais mencionados e também o está praticando, em cerca de 30 bairros para isso organizados.

Mas ainda, na cidade de São Paulo, estamos longe de praticá-lo como se deve.
O anti-urbanismo do paulistano e eu diria do brasileiro, é ainda uma forte cultura hegemônica, a ser superada. Ela é alimentada pela busca da especulação imobiliária pelos mais ricos e pelo desespero dos mais pobres em obter uma moradia qualquer, em o que conta é uma simples moradia, muitas vezes apenas um simples teto, strictu-sensu. O próprio movimento em parte se auto entitula dos sem teto, quando são na verdade, sem cidade. As vítimas da especulação imobiliária, desse modo se aliam aos seus algozes, por pura ignorância do processo social em curso. Essa é uma estranha aliança, que tem como resultado a manutenção do processo social de produção dos sem teto.

Penso que o Plano de Bairro, leva ao cidadão comum essa possibilidade, de apliação de sua consciência cidadã desde que manejado por políticos progressistas e por cidadãos conscientes e organizados coletivamente, como os que participam do Movimento Defenda São Paulo, que é um movimento social de classe média do qual sou seu atual Diretor Executivo, que luta também contra a especulação imobiliária que invade e superlota seus bairros de moradia.

Essa é a minha esperança e a dos militantes do Defenda São Paulo.

 
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BAIRROS

MATÉRIA

>> Geógrafo propõe metodologia para delimitar os bairros de São Paulo

REPORTAGEM
>> Conjunto Turística e Luz, exemplos de processos diferentes de formação dos bairros
>> Jornais de bairro contribuem para a integração do leitor ao lugar onde mora
>> Associações de Santo Amaro atuam conjuntamente em defesa da região

PERFIL

>> José Donizete Cazzolato, geógrafo do Centro de Estudos da Metrópole.

ENTREVISTAS
>> Sandra Barros fala sobre formação de bairros em São Paulo e Recife
>> Eduardo Fenianos, o Urbenauta, conta sobre suas expedições metropolitanas.
ARTIGO ASSINADO

>> Os Planos de Bairro como instrumento de superação da cultura anti-urbanística, por Candido Malta

SP EM DEBATE
>> Os bairros de São Paulo devem ser legalmente delimitados?
NOTÍCIAS
>> Leia últimas notícias do CEM.